Conheça as 5 principais lesões musculares.

Tipos de lesão, como tratar e como prevenir:

As lesões musculares estão presentes na vida de todos. Desde o indivíduo sedentário até o atleta de alto rendimento, todos estamos sujeitos e expostos à lesões da musculatura.

Nas últimas décadas aumentou muito o número de pessoas que praticam algum esporte regularmente, mesmo que de maneira recreativa. isso fez com que a procura por tratamento de lesões aumentasse também.

O impacto das lesões na rotina do indivíduo, bem como a necessidade e urgência no tratamento, são proporcionais a importância que a saúde muscular desempenha na vida de cada um. No caso de um atleta de alto rendimento, é frequente termos que acelerar ao máximo o processo de recuperação muscular. Já no caso de um indivíduo sedentário, podemos ser menos agressivos na estratégia de tratamento.

As lesões musculares representam 50% de todas as lesões relacionadas ao esporte.

Nos Estados Unidos da América acontecem aproximadamente 10 milhões de lesões relacionadas ao esporte por ano. Um número surpreendente não é?

Como acontece a lesão muscular?

A lesão muscular está relacionada à sobrecarga na musculatura, seja por um trauma agudo ou overtraining (excesso de treinamento). Estatisticamente, 65% das lesões ocorrem durante a contração concêntrica do músculo.

Tipos de lesão muscular
Quais são os tipos de lesão muscular?

Lesão grau I: Denominada estiramento muscular, aonde existe uma quantidade muito pequena de fibras lesionadas (menos de 5% do total de fibras no músculo).
Lesão grau II: Nessa situação já existe uma quantidade moderada de fibras lesionadas, porém não ultrapassando de 50% do total de fibras no músculo.
Lesão grau III: É a ruptura propriamente dita da musculatura, com mais de 50% de fibras acometidas.

Quais são as lesões mais comuns? Em ordem decrescente são:

  • Quadríceps (maioria das lesões)
  • Adutores da coxa
  • Panturrilha
  • Flexores da coxa
  • Bíceps braquial
  • Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através de um cuidadoso exame físico. Métodos de imagem como RNM, USG e Termografia podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução do tratamento.

Como é o tratamento das lesões musculares?

O tratamento vai variar com a extensão da lesão, o grupamento muscular acometido e a demanda física do paciente.

De uma maneira geral as lesões musculares são tratadas conservadoramente, com repouso, uso de medição e fisioterapia.

Somente casos muito selecionados são tratados com cirurgia.

Como prevenir as lesões?

Atividade física regular, bom alongamento da musculatura e aquecimento correto antes de iniciar as atividades parece estar relacionado com um menor índice de lesões.


Transplante Osteocondral - Reparo de lesões na cartilagem do joelho.

As lesões na cartilagem são importantes causas de dor e perda de função nos joelhos. O transplante osteocondral, também denominado OATS (Osteochondral Autograft Transfer System), pode ser utilizado para reparo de lesões de até 1 cm de diâmetro na cartilagem articular do joelho.

Consiste na retirada de uma área sadia de cartilagem, acompanhada de aproximadamente 15mm de osso subcondral. Posteriormente, esse bloco osteocondral é inserido no local da lesão.

Após a cirurgia, o paciente deve permanecer sem carga no membro operado por aproximadamente 6 semanas. Após esse período, o paciente já inicia o retorno gradual as atividades físicas.

Assista o vídeo com a técnica cirúrgica:


Rompi o LCA! Quando posso operar?

Saiba o momento ideal para operar o ligamento cruzado anterior do joelho!

As lesões completas do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) do joelho são, em sua grande maioria, tratadas com cirurgia. Uma dúvida frequente entre os pacientes é o tempo de espera até a cirurgia, pois a conduta varia muito entre os ortopedistas.

A importância do Ligamento Cruzado Anterior
Ruptura do LCA.

O LCA é o principal estabilizador em valgo do joelho e o principal restritor da anteriorização da tíbia em relação ao fêmur. Essas características fazem dele um importante estabilizador do joelho. A lesão completa do LCA provoca grande instabilidade e falseios no joelho, principalmente durante a atividade física.

Diagnóstico por imagem

Primeiramente, vamos desfazer uma confusão muito frequente em relação ao diagnóstico. Após o exame clínico do paciente, geralmente a confirmação vem com a ressonância magnética (RM). O momento da realização deste exame, já é o primeiro motivo de controvérsia. É ainda muito comum entre os ortopedistas, o conceito de que se deveria esperar a resolução do derrame articular (edema) para a indicação do exame. Essa espera não aumenta em nada a acurácia do exame, pelo contrário, quando o joelho está edemaciado, a sensibilidade da RM é aumentada. Dito isto, o exame de imagem pode, e deve, ser realizado o mais cedo possível, após a suspeita clínica da lesão.

E agora? Quando operar?

Após a confirmação diagnóstica, existe tempo de espera ideal até a cirurgia?

A resposta é não. Não existe um tempo de espera pré-determinado. O que existe é a necessidade do paciente ter o arco de movimento do joelho restabelecido, já possuir contração ativa normal do quadríceps e não estar mais na fase aguda inflamatória (período de dor e desconforto) após a lesão. Observando estes critérios clínicos, o cirurgião pode realizar a cirurgia com bastante segurança.


O uso de joelheira faz bem? Saiba quando usar e quando evitar!

A auto-prescrição de braces e órteses para os joelhos, popularmente conhecidas como joelheiras, é muito frequente na prática desportiva amadora. Na verdade, existem situações em que o uso está correto e outras situações em que o uso está totalmente contra-indicado. Nesse post não estamos nos referindo à joelheiras de proteção ao impacto, como as utilizadas pelos atletas do vôlei, por exemplo. O objeto deste post são as joelheiras utilizadas na estabilização da articulação durante a prática desportiva.

Primeiro vamos ao conceito biomecânico:

A órtese de joelho tem como função restabelecer ou auxiliar na estabilidade articular do joelho. Ela não tem nenhuma função na retirada ou diminuição de carga da articulação.

Se o brace não consegue diminuir a carga na articulação, não existe indicação nas lesões causadas pelo peso do corpo. Em contra-partida, em lesões que gerem instabilidade, os braces e órteses têm sua melhor indicação.

Modelo simples de joelheira.

Tipos de braces e órteses:

Existem diversos tipos de órteses no mercado. Modelos curtos, longos, adaptáveis, feitos sob medida, sem dobradiça ou com dobradiça.

Alguns modelos são mais simples e outros mais complexos, com mecanismos de estabilização muito eficazes.

Quando está indicado o uso?

Basicamente em qualquer lesão ligamentar o uso da órtese estará indicado. As lesões ligamentares levam à instabilidade da articulação, sendo bastante eficaz o uso do brace nesse caso.

Brace articulado da marca Donjoy.

Quando não está indicado?

Nas lesões de menisco, por exemplo, não há grande benefício no uso da joelheira, visto que a carga axial é o principal fator responsável pela lesão. As lesões de cartilagem entre o fêmur e a tíbia também não possuem indicação para o uso de órteses.

Quando pode fazer mal?

As lesões de cartilagem entre a patela e o fêmur podem piorar bastante com o uso de joelheiras, devido ao aumento de pressão entre os dois ossos.

O mais importante é que o uso do brace seja prescrito pelo seu médico. Pois a correta identificação da patologia é feita de forma mais acertada pelo médico ortopedista.


O uso de bota corrige o pé chato? Saiba o que é verdade e o que é mito.

Todos sabem o que é o pé chato, conhecem ou já conheceram alguém que apresente esse quadro.

O que poucos sabem, é que o uso da tão famosa “bota ortopédica”, bem como medidas como “andar na areia” e “enrolar toalhas com os pés”, não estão indicadas no tratamento do quadro. Muitas pessoas (eu inclusive, rsrsrs) ao lerem esse post, vão descobrir que usaram aquele calçado horrível sem necessidade. Ao longo do post vamos explicar os motivos…

O nome correto do “pé chato” é Pé Plano. Ele é definido pela diminuição ou ausência do arco plantar (curvinha que temos na face interna do pé).

Pé Normal vs Pé Plano

Todas as crianças nascem com os pés planos, e os pés se mantém planos até os 2 anos de idade. Ao longo do desenvolvimento, o arco plantar é formado. Normalmente, aos 5 anos de idade o arco está formado. Em algumas situações, existe um atraso na formação do arco. Aí é que começa a confusão… Alguém indica o uso da bota, e a criança que já ia formar o arco normalmente, acaba formando o arco “por causa” da bota. Entenderam? A bota leva os créditos por uma melhora que iria acontecer, independente de qualquer tratamento.

É recomendável uma avaliação ortopédica para todas as crianças que não possuem o arco plantar formado aos 5 anos de idade. Essa consulta vai servir para definir se o pé plano está relacionado com alguma deformidade óssea importante ou com alguma outra patologia. Na imensa maioria dos casos, como já foi dito anteriormente, não será necessário nenhum tipo de tratamento específico.

Palmilha para elevação do arco plantar.

Nos casos em que o pé plano persiste até a adolescência e a vida adulta, devemos observar os sintomas. Caso o paciente não apresente nenhum tipo de sintoma, nenhum tratamento está indicado.

No caso de sintomas dolorosos (geralmente no tornozelo), está indicado o uso de palmilha de elevação do arco plantar para melhora dos sintomas.

Importante salientar que a palmilha não corrige o pé plano, apenas promove melhora dos sintomas.


Síndrome da Pedrada – Uma lesão muito frequente no esporte.

A ruptura súbita do ventre muscular do Gastrocnêmio (músculo da panturrilha), durante atividade física, é conhecida como Síndrome da Pedrada.

Anatomia da loja posterior da perna

O termo foi utilizado pela primeira vez em 1883, por Powell, no periódico Lancet, para descrever a lesão de um jogador inglês de Críquete.

No momento da lesão, o paciente tem a nítida impressão de que foi vítima de uma pedrada na panturrilha. Alguns descrevem inclusive, que procuraram a pedra e o autor do suposto disparo.

Além da sensação da pedrada, o quadro clínico consiste em dor muito intensa com imediato déficit funcional no membro acometido. Logo após a lesão, a panturrilha já se apresenta edemaciada e, em muitos casos, pode-se observar a formação de equimose (mancha roxa) local.

Os esportes que envolvem arrancadas bruscas como futebol e tênis, estão mais relacionados com a síndrome. Porém, algumas vezes a lesão se instaura fora do ambiente desportivo. Quando o paciente inicia uma corrida para pegar um ônibus, por exemplo.

O diagnóstico é clínico e a confirmação, bem como a mensuração da gravidade, podem ser feitos com o auxílio de ressonância nuclear magnética (RNM) ou ultrassonografia (US).

O tratamento é iminentemente conservador, envolvendo repouso, medicação e fisioterapia.

Apesar de não se tratar de uma patologia cirúrgica, o paciente não deve postergar ou negligenciar o tratamento. Pois complicações como Miosite Ossificante, lesão muscular crônica e fibrose local, ocorrem com mais frequência nos casos não tratados adequadamente.

Após 6 a 8 semanas de tratamento, o paciente já se encontra apto ao retorno gradual as atividades físicas.


Lesão tipo "Alça de Balde" – A lesão de menisco mais desafiadora.

Dentre todos os tipos de lesão meniscal, a lesão em alça de balde é a que mais desafia o cirurgião no momento do tratamento.

Primeiramente, vamos relembrar um pouco a anatomia e estrutura do menisco. Trata-se de uma estrutura constituída quase na sua totalidade por colágeno, localizada entre o fêmur e a tíbia. Tem a função de diminuir o impacto da carga na cartilagem articular e também aumentar a superfície de contato entre as superfícies cartilaginosas.

Existem vários tipos de ruptura meniscal, entre elas: Radial, Oblíqua, Longitudinal, Complexa e Alça de Balde.

A ruptura em alça de balde é particularmente importante pois é a única lesão que causa bloqueio articular, ou seja, o paciente perde a capacidade de movimentar o joelho. Dor importante e impotência funcional geralmente acompanham o quadro.

Lesão em Alça de Balde

A nomenclatura “Alça de Balde” vem da semelhança da anatomia da lesão com uma alça de balde e seu movimento em torno de um eixo fixo. A lesão geralmente é grande e ocupa uma porção importante da superfície meniscal.

O tratamento é sempre cirúrgico e, em alguns casos, realizado em regime de urgência. O real desafio para o cirurgião é conseguir reconstituir a perfeita anatomia meniscal. Quando a sutura do menisco não é tecnicamente viável, o paciente acaba perdendo uma grande parte de seu menisco, o que pode significar um prejuízo funcional a longo prazo para o joelho operado.

A recuperação pós-operatória não é complicada. Nos casos de sutura do menisco, o paciente coloca o pé no chão após 6 semanas e inicia atividades físicas logo após este período. Nos casos em que a sutura não foi possível e o cirurgião optou pela retirada parcial do menisco, o paciente já pode pisar no mesmo dia e inicia atividades físicas duas semanas após a cirurgia. Em ambas as situações, o acompanhamento fisioterápico se inicia logo após o procedimento.


O Esporão de Calcâneo e a Fascite Plantar. Explicando a causa da dor.

Uma queixa muito comum no consultório dos ortopedistas é a dor no calcanhar, muitas vezes denominada pelo próprio paciente como “Esporão de Calcâneo”.

A verdade é que, na esmagadora maioria das vezes, o correto diagnóstico é de Fascite Plantar. Nós possuímos uma aponeurose (estrutura constituída por tecido conjuntivo espesso), que vai do osso calcâneo aos metatarsos, na região plantar do pé. Este tecido é que nos dá a resistência e proteção necessárias para que suportemos a pisada. Ela recebe o nome de Fáscia Plantar.

Quando, por algum motivo, existe uma sobrecarga na fáscia plantar, ela inflama e dá início ao processo conhecido como fascite plantar. O sintoma mais comum é dor na região plantar do calcanhar, principalmente ao acordar. A dor pode piorar com o exercício e sobrecarga nos pés.

Esporão de Calcâneo

Quando a fascite plantar se torna crônica (geralmente por mais de seis meses), o famoso esporão aparece e pode ser visualizado na radiografia em perfil do calcâneo. Ao contrário do que se imagina, a presença do esporão por si só não causa dor. A real causa da dor é a inflamação na fáscia plantar.

O diagnóstico da fascite plantar é clínico, ou seja, não é necessário nenhum tipo de exame de imagem.

O tratamento envolve o uso de anti-inflamatórios, fisioterapia e, principalmente, a elevação do retropé com o uso de calcanheiras ou calçado adequado.

Geralmente o paciente fica livre dos sintomas em, aproximadamente, duas semanas após o início do tratamento.


Terapia por ondas de choque (TOC) - Uma nova opção de tratamento.

Atualmente, a terapia por ondas de choque é uma importante arma em nosso arsenal para o tratamento dos distúrbios miotendinosos, musculoesqueléticos e osteoarticulares.

Muito difundida ao redor do mundo na última década, tornou-se indispensável como opção de tratamento para diversas patologias.

Seu exato mecanismo de ação ainda é foco de estudo. Porém, a hipótese mais aceita é de que os microtraumas causados no momento da terapia, são responsáveis por uma resposta reparadora em nosso organismo. Esta resposta acontece principalmente nos tecidos vasculares e nervosos.

Já existe um sem número de publicações que corroboram a eficácia do tratamento.

Suas principais indicações são:

  • Tendinites insercionais. As principais são o Tennis Elbow e a Tendinite no Tendão de Aquiles;
  • Bursites. Sendo as principais, no quadril (trocantérica) e no ombro;
  • Tendinopatias crônicas. Supraespinhoso e Tendão Patelar;
  • Dor miofascial;
  • Controle da dor na artrose sintomática;
  • Auxilio na recuperação das lesões musculares;

Geralmente o tratamento consiste em 5 ou 6 sessões, com o intervalo de uma semana entre elas. O paciente, muitas vezes, já refere melhora dos sintomas na primeira sessão.

Obs: A terapia não envolve choques elétricos